Shrinking Union?

rolf falter

O presente texto foi-me enviado pelo meu bom amigo Rolf Falter, historiador (com cinco livros publicados, o último sobre a história da Bélgica, e prestes a concluir um outro sobre a história da União Europeia); Rolf participou recentemente num governo belga e foi meu colega no Parlamento Europeu, responsável pelo Gabinete em Bruxelas da instituição, durante vários anos. É também um distinto membro do TEMPLATE CLUB. Este artigo é o primeiro de uma série sobre a Europa e a União escrita por colegas e amigos de várias nacionalidades, competências e perspectivas, membros do TEMPLATE CLUB. Por razões óbvias o texto é em inglês, e do facto peço desculpa a todos os meus amigos puristas (e com razão!) da língua portuguesa; não prometo mas tentarei traduzi-los, se a tanto me ajudar (não o engenho e arte, que esses me são escassos) a disponibilidade de tempo. Em todo o caso, julgo que o interesse do presente texto merece a sua imediata publicação neste forum, replicado no FB, para já os canais disponíveis, mas quem quiser – amigos e conhecidos – poderá partilhá-lo livremente! Bem hajam.

“It might look as if the European Parliament is rather sleepy these days, but if I detect well, I see some signs of growing concerns. The reason is obvious: for decades one of the main questions in the Union was who would be the next member. For the next months it seems to be: who’s the first to quit (destaque meu)

Last summer the then designated candidate for the Presidency of the European Commission, Jean-Claude Juncker, announced that no new members would be allowed before 2019, as the Union had first to put its own house in order again. Since then Iceland has withdrawn its candidacy, on March the 12th. It applied for membership in dire need at the height of the banking crisis and shortly before the Euro-crisis in 2009. It has now returned to its original point of view that its fishers-interests are not compatible with EU-membership.

A far bigger shake-up is in the making with Greece. When one analyses the question of Greek debt only from a financial point of view, there was a lot of room for compromise immediately after Syriza’s election victory on the 25th of January. But the struggle between creditors and debtor, if not Berlin and Athens, has turned nasty. For weeks now it has centred on symbols – like the German war debt, or a would-be alliance of Mr. Tsipras with Mr. Putin. And it has evolved into what in the most optimistic interpretation might be sheer poker, in a more realistic one an exercise of gorilla-like chest-beating.

The bets are more than ever on a payment default in a few weeks, followed by a Grexit, at least from the eurozone. It is simple to write this, but in reality it is a hugely complicated matter. One should hope that the scenario for an at least controlled Grexit – itself a nightmare to organise – will be in place at the time of the default, to temper the inevitable shockwaves in the financial markets and for the Greeks themselves. The case is anyway unforeseen in the Treaties, so new scenarios are to be invented and written – probably at the ECB and the Commission – , if only to prevent that they will be imposed by events.

The showdown on Greece will follow a few days after the British general election on May the 7th (o artigo foi escrito alguns dias antes das eleições britânicas). In all ways this is a less dramatic story, although it concerns one of the biggest member states. The only continuous element in the quite shaky opinion polls these days is that no party will gain an all-out majority. And that perspective opens the way for political intrigues of a sort unknown in Westminster since the then Irish question hundred years ago (the days of Asquith, Lloyd George and young Churchill). The Scottish Nationalists might hold the balance. But as their gain is Labour’s loss, Mr. Camerons Conservatives might be tempted to use the Scots discreetly as the French kings did in the Middle Ages: to reduce the power of the English enemy. The slightly left-wing SNP on the other hand has to fight and beat its most likely coalition partner, whereas Labour seems only capable of getting into the government via the SNP. In the latter case the Nationalists are likely to put devolution-aims on the table that could definitely make an end to Labour’s possibility of gaining seats in Scotland, so crucial to obtain a one-party majority in Londen. At the same time Mr. Cameron and his troops face a nationalist, if not racist revolt from UKIP, with the remarkable result of stirring up English nationalism in both parties. It all sounds quite (ahum)… Belgian in fact, or, if one prefers to make a kinder comparison for the long-forgotten former Empire – at least as shaky as Canada in the heydays of Quebec separatism twenty years ago.

Finally there is Spain. The struggle between Barcelona and Madrid – and I do not mean the Classico in football – has gone out of the news, but only because both parties have agreed to meet on the electoral battlefield. Catalonia will vote on the 27th of September, the whole of Spain almost certainly a few weeks later. Similar rounds of shadow boxing as in Britain could take place, as the Socialist are more vulnerable than the Conservatives to lose votes to the Catalan nationalists and the new left party of Podemos, but on the other hand can make more easily a coalition with these two parties than the Partido Popular of outgoing prime minister Mariano Rajoy. If the Partido Popular keeps the majority by being rewarded for getting Spain finally out of the crisis – and probably also by stirring up Spanish nationalism against the Catalans – the probability of unilateral decisions on independence in Barcelona will rise. Still more if the Spanish constitutional court continues to interpret the Constitution as rigid as the Inquisition did with Faith (one should try to read the four hundred pages verdict on Catalonia’s referendum-plans last year). In that case, the EU would again have to explore – as Mr. Draghi would say – ‘unchartered waters’.

The three political crisis – Greece, Britain, Spain – are no doubt the product of the long and deep economic crisis that is finally, but maybe just too late, coming to an end in the EU. People think more rigid in distress, are ready to blame almost everybody except themselves for the decline. But do consider that it is not the newcomers from Central and Eastern Europe that are shaky. All three countries belong to the second generation of members, that joined the Union between 1973 and 1986. In the core of the original six there are strong anti-EU movements in France, Italy and – to a declining extent – the Netherlands.

All three crises could in theory be solved by blowing some European perspectives in petty-minded antagonisms, and by seeking highly sophisticated compromises that are – used to be? – the trademark of most of the EU-decisions. But they will need much creative thinking and strong leadership to get managed. Because anyway each of these three crises has the potential of shaking and changing the Union beyond recognition”.

Vivemos numa Europa livre?

Tertúlia atmosfera M

Notícia: os ingleses não saem da União Europeia (acho…)

Graças ao meu amigo Michael Schackleton, um artigo notável sobre a razão porque os ingleses devem permanecer na União Europeia – melhor, porque vão permanecer na União Europeia (esta segunda parte tem boa parte de wishfull thinking da minha parte). Uma explicação simples e clara sobre os equívocos sobre a União disseminados por partidos como o Ukip.

Empregos na Europa…

Update nas oportunidades de emprego nas instituições europeias:

E não se esqueçam de consultar regularmente o sítio Internet da EPSO (European Personnel Selection Office).

Na agenda europeia, da Grécia à Ucrânia, passando pelo TTIP

Enquanto não se inicia a nova fase deste Euratória – com secções renovadas e novas colaborações -, retomo hoje esta liça, começando por fazer uma espécie de lista do estado da arte da União Europeia. Assuntos não faltam, como é sabido, mas vamos tentar – num exercício que é natural e inevitavelmente subjectivo -, olhar para aquilo que há de mais premente, urgente, importante e incontornável (palavra, como se sabe, a evitar) na vida deste velho continente e da sua organização mais célebre e incompreendida:

  • A Grécia, claro. Entre a esperança trazida pela eleição surpreendente (não nas expectativas eleitorais mas muito mais na natureza do partido vencedor) do Syriza, o anúncio de um conjunto de medidas que rompem decidida e abertamente com o não concluído programa de resgate e o início de negociações difíceis e de incerto desfecho com as instituições e países europeus, de que a conversa entre os ministros das finanças grego e alemão é o mais recente e desagradável exemplo, a Europa sustém a respiração e aguarda. De certo modo, parece que Tsipras e Varoufakis jogam vários jogos ao mesmo tempo: ao polícia bom e ao polícia mau, com o segundo a lançar farpas e ironias (são mais sarcasmos, na verdade) e o primeiro a tentar permanentemente acalmar os interlocutores; ao gato e ao rato, sendo que o rato sabe que o gato não o quer comer por recear uma indigestão e ir por isso esticando a corda até insuspeitados limites; ao monopólio, com a ameaça de ruptura e a solução limite de recurso à emissão de moeda pelo banco central grego (após um grexit, reconheço, que me parece de resto ainda uma hipótese extrema e que a todos desagrada), moeda condenada a desvalorizar-se rápida e dramaticamente; à verdade ou consequência, com os líderes gregos a dizer e a desdizer(se), como aconteceu com a afirmação sobre a troika; e muitos outros jogos interessantes mas de difícil fruição na arena dos interesses económicos de Estados e organizações, com dívidas gigantescas por pagar e povos por contentar. Ao mesmo tempo, os sinais do lado das instituições e líderes europeus são também de impaciência e de algum radicalismo no tratamento do caso grego, ameaçando ainda mais a estabilidade da zona euro, cuja frágil recuperação se vem anunciando. A Grécia, claro; a Grécia, sempre. A seguir com atenção: as cenas dos próximos episódios serão muito interessantes.
  • A guerra na Ucrânia, que já causou mais de cinco mil mortes e parece ganhar em dimensão o que perde na atenção da opinião pública (pelo menos em países como Portugal, onde outros assuntos, como um certo preso preventivo ou o derby da capital, suscitam muito mais atenção): o cessar fogo formal de Setembro do ano passado é letra morta e bem morta; cada vez mais e mais sofisticado armamento cruza as fronteiras da antiga república soviética, fornecido aos dois lados da barricada pelos aliados russos ou ocidentais, falando-se já de possíveis fornecimentos de material bélico poderoso por parte dos americanos às forças armadas de Kiev. E o Ocidente parece continuar a jogar uma espécie de jogo duplo, a um tempo apaziguando o urso russo e em simultâneo impondo sanções e ameaçando com o seu reforço. Parece entretanto cada vez mais claro que dificilmente o país voltará ao statu quo ante: as zonas ocupadas (conquistadas) pelas forças separatistas e russófonas dificilmente voltarão ao controlo pleno do governo legítimo da Ucrânia. E nesse caso, o que há a esperar do futuro nesta vizinhança imediata da União Europeia?
  • O acordo transatlântico de investimento e comércio (cuja sigla inglesa, TTIP, é hoje uma marca reconhecida) marca passo. Emergem e instalam-se controvérsias, como a possível interposição de acções contra os Estados por parte de empresas privadas, ou a animosidade de sectores bem determinados dos dois lados do Atlântico, dos extremos do espectro políticos aos partidos eurocépticos. Mais comércio livre é uma ideia que desagrada a muita gente, apesar da Comissão Europeia e muitos dos adeptos do processo acenarem com asa vantagens económicas de uma zona euro-americana (ou, simples e simbolicamente, atlântica). A preocupação principal dos defensores europeus do acordo, parece ser a preocupação com a tendência americana de olhar na direcção oposta – para as margens do Pacífico e o que está para além do grande mar oriental. Iniciadas em 2013, vai sendo tempo das negociações do TTIP terem alguma evolução significativa, sob pena de ser tarde para o Presidente Obama beneficiar do respectivo desfecho como um dos marcos do seu mandato, já no ocaso, com eleições presidenciais em 2016.
  • A guerra contra o terrorismo islâmico é outro dos temas mais importantes na agenda europeia, a par da sua relação com a liberdade de circulação, mais ameaçada do que nunca. Uma Europa a braços com a ameaça do Estado islâmico e todas as outras com cunho “jihadista” não se pode dar ao luxo de descurar a segurança, mas não deve também, sob pena de dar vencimento aos que a ameaçam e pretendem ver radicalmente alterado o seu modo de vida, ceder na defesa dos seus valores e princípios.

Muitos outros assuntos europeus teriam aqui cabimento: a questão energética, a ambiental, a solução para as dívidas soberanas, o “quantitative easing”, o plano Junckers. Assuntos a tratar em breve, e que continuarão presentes nesta agenda de um continente e de uma organização que tem a ver com tudo e para a qual tudo conta, para o bem dos cidadãos europeus.


Nos próximos dias 18 e 19 de Dezembro, os chefes de Estado e de governo europeus vão-se reunir para aprovar – ou não – o plano de investimento que o Presidente da Comissão Europeia revelou a semana passada perante os deputados europeus.

São 315 mil milhões de euros de investimentos para os próximos 3 anos. Mais de cem mil milhões por ano!

Mas afinal, para que serve e por que é preciso este plano, que foi aliás trave mestra da estratégia de Juncker na sua corrida às funções que agora desempenha? Em termos simples, desde o início da crise, em 2008, os Estados europeus cortaram sobretudo nas despesas de investimento e, em consequência (não apenas) disso, a Europa deixou praticamente de crescer.

A estratégia Juncker foi, desde o início, a de colocar o crescimento – e por isso, o investimento – no coração da economia europeia, em detrimento da austeridade, ou pelo menos a par dela. E o objectivo do plano Juncker consiste na mobilização de dinheiro privado, tendo como instrumento público essencial para estimular essa mobilização os recursos do Banco Europeu de Investimento.

É certo que os países europeus não parecem disponíveis a voltar a apostar numa estratégia de investimento público, utilizando para o efeito os seus próprios recursos, leia-se orçamentos nacionais: alguns não querem, outros simplesmente não dispõem de quaisquer margens orçamentais, como é o caso de Portugal. Os seus projectos de investimentos terão assim de ser financiados por privados, num quadro de estímulos – ou garantias – públicas assentes sobretudo nas instituições europeias e, em particular e como  já se disse, no BEI. Mas estarão os privados dispostos a isso? Ou preferirão investir directamente nos países mais rentáveis, com economias mais sólidas e seguras? Como se poderá garantir que esses investimentos serão distribuídos equitativamente, de forma equilibrada, permitindo um crescimento sustentável e harmonioso da União, condição (quase) sine qua non para a sustentabilidade do projecto europeu?

É certo que está previsto o estabelecimento de um novo fundo –  Fundo Europeu para Investimento Estratégico – por parte, ou no âmbito, do BEI, para gerir esses recursos. Mas qual será a credibilidade e sustentabilidade desse novo fundo e como será ele compatibilizado com os outros recursos existentes?

Há pois muitas interrogações em torno desta estratégia e do plano Juncker. É importante não esquecer que, de momento, a União busca activamente um caminho para sair do atoleiro em que se viu enterrada, caminho esse que envolve o Banco Central Europeu e a sua promessa de intervenção massiva (inclusivamente comprando dívida nacional), reformas estruturais ao nível nacional e o referido plano de investimentos. Existe além disso uma nova esperança associada ao novo ciclo europeu, com novos titulares das instituições mais importantes.

Mas a linha que separa o fracasso do sucesso é muito fina. O plano Juncker é ousado no discurso, arriscado na concepção, difícil de levar a bom porto  na execução. É o que há: em nome do futuro da Europa e do projecto de integração europeu, é bom que resulte.

Empregos na União Europeia…

Uma oportunidade de concorrer ao lugar de assistente parlamentar no Parlamento Europeu – também para outras oportunidades, novos concursos a abrir em breve – no site oficial de acesso a funções nas instituições europeias em


Pode ainda encontrar informações sobre este concurso no site Emprego pelo Mundo



No índice de corrupção acabado de publicar pela organização Transparência Internacional (TI), Portugal surge em 31º lugar.

O estudo da TI mede a percepção dos índices de corrupção em 175 países e territórios no Mundo e existe desde 1995. Para criar os seus índices anuais, a TI usa um conjunto alargado de instrumentos, da monitorização de concursos públicos, a diagnósticos concretos e credívies para medir e mapear a corrupção, entrevistas, sondagens, etc.

Corrupção, na definição da organização, é o abuso do poder investido em governos, políticos e organizações públicas, para ganho privado. A corrupção, refere, prejudica todos quantos dependem da integridade das pessoas em posição de autoridade.

A corrupção, acrescento, desvirtua a relação entre o voto – a escolha legítima de representantes do povo com base nos seus programas, objectivos de política e estratégias – e a concretização das políticas públicas.

Isto é, a corrupção mina a democracia.

No índice de corrupção 2014, Portugal é o 31º, sendo o menos corrupto, com um resultado de 92 em 100, a Dinamarca. Estamos atrás de 13 países europeus: à nossa frente a Dinamarca, Finlândia, Suécia, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Reino Unido, Bélgica, Irlanda, Áustria, Estónia, França e Chipre. 14 países europeus são mais corruptos, na análise da TI: Polónia, Espanha, Lituânia, Eslovénia, Letónia, Malta, Hungria, República Checa, Eslováquia, Croácia, Bulgária,  Grécia, Itália e Roménia.

Estamos quase rigorosamente a meio da tabela europeia, o que não é mau de todo, ainda que isso possa a intuição de muitos portugueses. Por outro lado, o resultado de Portugal é de 63, numa escala de 0 a 100, sendo 0 um país completamente corrupto e 100% “completamente limpo”. Muito por onde evoluir, portanto.

Por curiosidade, o país mais corrupto desta tabela é a Somália, com apenas 8 pontos na escala de 0 a 100. Angola e Guiné-Bissau estão empatados no 161º lugar, ambos com 19 pontos.

Donald Tusk assume funções de Presidente do Conselho Europeu

Energy Security Strategy Conference

(photo Anadolu Agency)

Donald Tusk, antigo primeiro ministro da Polónia, assumiu hoje funções como novo Presidente do Conselho Europeu. Substitui no cargo o primeiro dos seus titulares (lembro que a função foi criada com o Tratado de Lisboa, não existindo antes), Herman Van Rompuy.

Apesar de ser importante recordar que as funções a exercer por Tusk não são de natureza executiva – cumpre-lhe sobretudo, conforme os termos do Tratado, presidir aos trabalhos da instituição e assegurar a sua continuidade – a verdade é que a expectativa é muito grande, em particular no que respeita à representação externa em matéria de política externa e de segurança, competência que também detém.

Tusk é polaco, o primeiro líder de um país de leste a presidir a uma grande instituição europeia; resignou ao cargo de primeiro-ministro, funções que exercia com grande sucesso – e uma popularidade considerável no seu país -, quando se pôs a questão da sua escolha para as actuais funções (interessante notar o contraste com outros países europeus bem nossos conhecidos, já que a sua decisão foi saudada por muita gente na Polónia, considerando tratar-se de uma honra para o país). Tusk tem, além disso, a vantagem, mais do que virtual, de ser próximo de Angela Merkel, o que sempre ajuda.

O novo Presidente do Conselho Europeu apresentou hoje explicitamente as suas prioridades:

Reforçar a unidade política face ao crescente eurocepticismo na Europa. Na minha opinião será uma das suas mais importantes tarefas… e também a mais difícil.

Ajudar a reforçar o crescimento, pondo fim à crise financeira. Veremos como conjugará o objectivo com a estratégia adoptada pela nova Comissão Juncker.

Proteger a Europa das ameaças externas, uma alusão clara à Ucrânia e à ameaça russa.

Reforçar os laços com os EUA, com o acordo transatlântico como pedra de toque.

Muito se espera de Tusk, um primeiro ministro que pôs o seu país a crescer a mais de 4% ao ano em plena crise económica. E a Europa agradece. O trabalho começa já amanhã… (difíceis negociações para o Orçamento 2015).



A próxima semana da União Europeia gera grandes expectativas.

São pelo menos três os motivos para essa ansiedade:

– Porque durante a semana o novo Presidente da Comissão Europeia vai revelar a fonte do plano de investimentos de 300 mil milhões de euros (!). Dinheiro novo, público ou privado, aproveitamento dos fundos estruturais ou outra solução qualquer, são interrogações que têm alimentado a especulação nas últimas semanas. Será em todo o caso a pedra de toque da nova Comissão, uma promessa de Juncker muito discutida, que é parte essencial do seu projecto e do programa do executivo europeu. Veremos que coelho sai da cartola do político luxemburguês e como o avaliarão os europeus.

– Na segunda-feira, Donald Tusk assume funções como novo Presidente do Conselho Europeu, em substituição de Van Rompuy. Muita expectativa também quanto à forma como se portará à frente da instituição este dirigente do leste europeu, o primeiro dos novos países a estar à frente de uma grande instituição europeia, originário de uma Polónia que cresce numa Europa em crise, país sensível a tudo o que vem de leste (Federação Russa e… Alemanha); Tusk sabe que terá de se elevar acima do conteúdo formal das suas funções e ser muito mais do que um mero gestor de conferências e representante simbólico dos 28; isto se quiser ter sucesso, bem entendido.

– A terceira razão para as expectativas é a votação da moção de censura à Comissão Juncker, logo a abrir o seu mandato. A razão é conhecida – o chamado Luxleaks, isto é, os negócios entre a banca luxemburguesa e as grandes empresas com a evasão (ou elisão) fiscal como objectivo – e o resultado da votação, praticamente também já decidida (PPE e Socialistas já anunciaram que não votarão favoravelmente a moção, o que de imediato a condena); mas importa perceber como se portará o novo Presidente, que argumentos vai usar (alguns são conhecidos) e como vão reagir os eleitos do Parlamento Europeu. No fundo, trata-se de tentar recuperar o estado de graça tão depressa perdido, o que não será fácil.

Proponho pois que estejamos atentos. Os assuntos da Europa da União continuam na ordem do dia e, como se vê, a gerar expectativas, interesse e controvérsia. Ainda bem (digo eu).